terça-feira, 6 de junho de 2017

Os novos totalitarismos


Os novos totalitarismos 

Há uma nova forma d'opressão,
Mais subtil, mais eficaz, 
De qu'o Estado é capaz 
Por manipulação.

Esta forma enviesada 
De criar unanimismo,
E fazer crer qu'é pluralismo, 
Na propaganda publicada!

Esta situação abrangente 
De tudo cair na sua alçada,
Seja na parte pública, ou na privada, 
Por interesse coincidente!?

Esta forma d'alienação 
Na cultura da vacuidade,
E fazer da humanidade 
Um rebanho d'estimação...

Ond'o político é subjugado
Aos interesses da "economia",
E a ética é o que se produziria 
Num tal Orçamento d'Estado!?

Onde a vontade populista 
Prevalece por decisão,
E a política se tem a perdição
De qualquer estadista!?

Esta vontade agregadora
Numa cor e "filosofia",
E quem a ela não aderia 
Ficar de fora...

Ser classificado por subversivo,
Por perigoso...
E a suspeita de ser culposo 
Por "agressivo"...

Ser difamado nessa censura
Qu'os incomoda,
Por não s'estar na roda 
Da ditadura!

E não embarcar nesse pensamento
D'único travo, 
E nesse "agravo"
De sentimento!!

E numa era policromática
Tudo se reduzir a uma cor!?
E ver tod'o comentador 
Na mesma enfática?!

Tudo estar minado 
Desse vermelho!?
E sentir que tod'o aparelho 
Já está tomado!!

E qu'a censura, 
Hoje, é disseminada
Em qualquer capa publicada 
Numa "verdade" obscura!?

O totalitarismo 
Chegou pr'a vencer,
E é lá vê-los a prevalecer
No mesmo clubismo!!

E s'até o Ronaldo,
Por melhor de sempre,
Nunca será tão subsequente 
Neste resultado!

A pátria do Eusébio 
Vive dessa memória, 
E não é do Ronald'a glória 
Maior qu'a do Império!?

Esse saudosismo 
Dum obscuro passado,
É agora retomado 
Em tal despotismo!

Essa capacidade 
D'endividamento...
E a falta de pagamento 
Por inoportunidade!?

E mesmo por mau exemplo
Lá ser-se ladeado, 
Por um poder pejado 
Dum tal alento!?

E ao Zé-povinho
Hastear-se a casa,
E caucioná-lo porque s'atrasa 
Nesse "mau" caminho...

E alardear-se com tal campeão
Por dias infinitos...
E na memória só os gritos 
De tal adulteração!

Esta "conformidade"
C'o "erro", c'o "engano",
E sempr'o mesmo fulano 
Em tal arbitrariedade!?

Este "fim da história"
Por fim, previsível,
E já se saber risível 
A nova vitória!?

Esta sensação 
De que tudo está previsto, 
E que não há proveito benquisto
Sem tal aprovação!?

Restamos destinados 
A balir por "negras",
E as demais ovelhas 
Em carreiros amestrados...

É esta nova perseguição
Na censura selectiva,
E qu'o vermelho se sirva 
De tod'a e qualquer condição!

Mas se lá for outra cor 
A usar da mesma imagem,
Já lá vem essa mensagem 
De negação do "autor"!?

Este maniqueísmo 
D'ideias e "filosofias",
E ver sempr'as mesmas "autorias"
De nacional-benfiquismo!?

Os comentadores,
Os "fazedores-d'opinião", 
Numa e noutra estação 
A tecer louvores!

Ou a criticar 
Consoant'a cartilha,
Como uma esquadrilha 
Na arte de marchar!!

Tudo ao mesmo trote
Como numa marcha militar,
E sempre o mesmo papaguear 
No mote...

Esta verdade única e absoluta 
Dos "independentes",
Sem a carga de "dirigentes"
Dessa luta!?

Esses "encartilhados",
Pagos com tal...
E tudo parecer natural 
Nos rostos televisionados!?

E essas estações 
Da "democracia",
Darem sempr'a primeira via 
Aos mesmos vendilhões!

Já nem se disfarça
O pensamento "absoluto",
E o povo ignaro, inculto, 
Acha graça!

Vai ganhando uns campeonatos
E umas taças,
Mas depois de tantas graças 
Vivem sem factos!

Vivem sem a constância 
Da liberdade,
Porque sabem qu'esta "verdade"
É concordância!

É colaboracionismo,
É pura traição!
Aos termos da revolução 
Contr'o fascismo!!

Esta demarcação 
Qu'os corruptos estão no norte,
E no sul só calha em sorte
A "governação"!?

Este enviesar das políticas 
Na distribuição do rendimento, 
E o território não ter aumento 
Senão nas "zonas cívicas"...

E ver a assimetria 
Do desenvolvimento,
E divergência de rendimento 
Pr'a periferia!?

E ver no país 
A macrocefalia,
E sempre a mesma fatia 
Que lhe calha de raiz...

Este "separatismo"
A que se vota os diferentes,
Qu'eles queriam ser abrangentes 
No seu totalitarismo...

E quem não se revê 
Nesta política muda,
Ou luta, ou estuda, 
Sem mais ligar a Tv....

Sobra-nos o ciberespaço
Por réstia de liberdade,
E ond'a pluralidade 
Ainda está fora do seu encalço...

Por isso lutar contra isto,
Contra tal "absolutismo",
É como deixar ao comunismo 
O exemplo de Jesus Cristo!?

Que na primeira hora 
Já s'o crucificava,
Restando-lhe a palavra 
Por caixa de Pandora...

Joker

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